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Dólar, passagens e IOF: como se preparar para viajar ao exterior no fim de 2026

Publicado em 24 de agosto de 2026

Quem pretende passar as férias de fim de ano no exterior deve redobrar a atenção ao planejamento financeiro devido à volatilidade do dólar – causada menos pela crise entre Brasil e Estados Unidos e pelas incertezas ligadas ao cenário fiscal e eleitoral doméstico, segundo especialistas consultados pelo InfoMoney.

O impacto das recentes tensões comerciais entre o governo Trump e o governo federal, com imposição de taxas ao Brasil e a ativação da Lei de Reciprocidade, sobre os gastos de um brasileiro em uma viagem de fim de ano no exterior é limitado, ao contrário do impacto das eleições, segundo Augusto Parente, especialista em finanças e investimentos e sócio-fundador da AW Capital.

“Daqui até o fim do ano veremos um dólar mais volátil, com possibilidade de alta no curto prazo. Se você tem uma viagem programada para dezembro, comprar a maior parte da minha viagem agora seria o mais seguro, para que você tenha uma previsibilidade do custo”, afirma.

 

Quanto a alta do dólar custa na viagem?

O impacto da variação cambial depende do tamanho do orçamento. Em uma viagem de US$ 5 mil, por exemplo, uma alta do dólar de R$ 5,20 para R$ 5,50 elevaria a conta final de R$ 26 mil para R$ 27,5 mil, uma diferença de R$ 1,5 mil antes de impostos e taxas.

Por isso, especialistas recomendam não tentar acertar o melhor momento do câmbio, mas diluir as compras ao longo dos próximos meses.

O dólar comercial fechou a sexta-feira (21) cotado a R$ 5,144, com queda de 0,93% no dia. A moeda acumula queda de cerca de 5,4% desde o início do ano, quando estava em R$ 5,4372, considerando a cotação de venda da PTAX de 2 de janeiro. Para o fim de 2026, a mediana das projeções do mercado reunidas pelo Boletim Focus está em R$ 5,20.

 

Vou viajar em dezembro/janeiro. Devo comprar dólar agora?

Não adianta tentar acertar o melhor momento de comprar dólar. Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro certificado (CFP) e especialista em investimentos e finanças pessoais, o melhor caminho é construir uma posição gradualmente.

“Ninguém sabe exatamente para onde o câmbio vai amanhã. Começar a comprar agora tira o peso de tentar acertar o momento perfeito e protege você de uma disparada repentina da moeda. Se você divide o valor total que vai gastar e compra um pouco a cada semana ou quinzena, dilui o risco. Se o dólar cair, você aproveita a queda. Se subir, já garantiu uma parte mais barata lá atrás”, avalia.

Parente concorda com a necessidade de antecipação, uma vez que a proximidade das eleições presidenciais, em outubro, pode manter o mercado mais sensível a notícias e gerar novas oscilações até o fim do ano.

 

Passagens aéreas

Além do câmbio, o preço das passagens merece atenção. As companhias aéreas têm custos expostos a fatores dolarizados e ao preço do combustível de aviação, enquanto a demanda também influencia diretamente o valor das tarifas em períodos de alta procura, como Natal e Ano-Novo.

O querosene de aviação (QAV), principal combustível utilizado pelas aeronaves, passou por forte pressão ao longo de 2026, devido à conflitos no Oriente Médio. Os preços começaram a recuar novamente em junho, quando a Petrobras reduziu o QAV em 14,2%, seguido por novo corte de 14,5% em julho. Mesmo assim, combustível acumulava alta de 40,5% no ano em julho.

As passagens aéreas, por sua vez, acumulam alta de 13,69% no ano, segundo o IPCA. Em 12 meses, o aumento é de 41,89%.

 

Como gastar menos no exterior

Na hora de utilizar o dinheiro durante a viagem, as contas internacionais seguem entre as alternativas mais competitivas para muitos viajantes. Segundo Patzlaff, contas globais costumam oferecer acesso a taxas de câmbio mais próximas das referências comerciais e, em muitos casos, spreads cambiais inferiores.

O spread cambial é uma taxa embutida por bancos, corretoras e instituições financeiras sobre a cotação de referência. Na prática, o consumidor acaba pagando mais por dólar. Exemplo: mesmo cotado a R$ 5,20, o consumidor pode acabar pagando R$ 5,25 ou mais em uma transação, a depender do banco.

“Uma outra estratégia possível é fazer as remessas para uma conta internacional de investimento desde já. Além da proteção cambial você ainda tem um pequeno rendimento até a data da viagem”, explica Parente.

O IOF para operações de câmbio destinadas à disponibilização de recursos no exterior é de 3,5%. Para operações destinadas a investimento, a alíquota é de 1,1%, conforme a finalidade da operação.

 

As gorjetas existem

Para além do câmbio, os especialistas alertam que o principal problema costuma ser a falta de planejamento. E um erro comum é subestimar pequenos gastos do dia a dia, como restaurantes, transporte por aplicativo, impostos locais, compras não planejadas e gorjetas. “É o dinheiro miúdo que, somado, destrói o orçamento”, conta Patzlaff.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a conta final em restaurantes pode ficar significativamente acima do valor exibido no cardápio, o que costuma surpreender turistas menos habituados ao destino.

Por isso, a recomendação é estabelecer um limite diário de gastos antes do embarque e reservar antecipadamente os principais itens da viagem, como passagens, hospedagem e atrações mais disputadas.

 

Como não gastar

Já os cartões de crédito internacionais emitidos no Brasil costumam ser menos competitivos porque combinam IOF de 3,5% com spreads geralmente mais elevados. Ainda assim, podem ser úteis para cauções em hotéis, aluguel de veículos, compras que exigem cartão de crédito e situações de emergência.

A compra de moeda em espécie também pode perder competitividade. Além do IOF, casas de câmbio normalmente trabalham com uma taxa mais alta, comumente o dólar turismo, além do risco de perda ou roubo. Por isso, o dinheiro em espécie pode ser útil para pequenas despesas, gorjetas ou estabelecimentos que não aceitam cartão, mas não deve representar a maior parte do orçamento da viagem.

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